Era só um sonho.
Mas o tipo de sonho que faz você suar; se contorcer de ansiedade, de dor, dando cãimbras em alguns músculos.
Tudo parecia tão real, mas ele sabia... era só um sonho.
Um belo casarão, com um quintal enorme a frente. Na entrada do casarão, ela o aguardava. Ele não conseguia ver seu rosto mas sabia que era ela, por causa do seu perfume inconfundível.
E sua certeza foi confirmada quando ela o saudou:
"Obrigada por ter vindo."
Ele não respondeu. Queria falar e as palavras não saíam de sua boca.
Apenas acompanhou sua anfitriã, assim que ela entrou pela bela porta do casarão.
Passaram por uma sala elegante, com móveis bonitos e decoração sóbria, e alguns corredores. Cada um destes cômodos tinha uma cor característica e decoração diferente. Era uma casa enorme.
Sentia-se em um labirinto.
Mas não pressentia perigo algum, estava calmo. Ele sabia que era um sonho.
Caminharam por alguns minutos em silêncio absoluto que só foi interrompido uma vez quando, ao entrarem no corredor principal, ela indicou uma porta branca no fim do corredor:
"Está no quarto."
Então ele percebeu uma música distante, enquanto caminhavam pelo corredor principal. Não conseguiu distinguir de imediato mas, assim que se aproximavam da porta no final do corredor, ele reconheceu a canção.
E teve medo de prosseguir.
Ela percebeu o receio dele e pegou suas mãos:
"Não tenha medo. Tudo está esclarecido e resolvido."
Ele não acreditava... mas sentiu o conforto das palavras. Estava tudo esclarecido? O que estava esclarecido?
Hesitante, decidiu seguir.
Pararam em frente a porta. A música estava nítida, apesar de abafada pela porta. O coração dele parecia querer abrir seu peito e explodir, de ansiedade.
Ela abriu a porta do quarto e entraram juntos. A música preenchia o ambiente.
'...depois de te perder, te encontro com certeza...'
Ele sabia que, apesar de tudo apontar para o contrário, aquilo era apenas um sonho.
'...talvez no tempo da delicadeza...'
Mesmo assim ele não controlou suas lágrimas ao ver, sentada na cadeira, uma garotinha segurando uma foto dele.
'...onde não diremos nada, nada aconteceu...'
Foi ao seu encontro e, timidamente, tocou seu rosto, sendo recebido com um sorriso tímido mas iluminado da menina. Um sorriso que ele jamais esqueceu, mesmo depois de acordar. O sorriso onde reconheceu traços de si mesmo, misturados com traços da mulher. Era só um sonho?
'...apenas seguirei como encantado ao lado teu...'
Ele se ajoelhou e, repousando sua cabeça no colo da menina, chorou enquanto ela afagava seus cabelos até adormecer assim.